Dislexia Adquirida Oficial
By Lou de Olivier (Ana Lourdes de Oliveira)
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Resumo: Há anos tem sido divulgados uma série de mitos (equívocos) sobre Dislexia e isso torna não só o entendimento falho como confunde os leigos e até os profissionais que tratam o distúrbio. Eu, Lou de Olivier, há quarenta anos dedico-me a elucidar este tema e trago aqui neste pequeno artigo, a explicação dos três principais mitos mais divulgados sobre a Dislexia. 

Há alguns meses um programa de TV entrevistou supostos especialistas abordando Dislexia. Na sequência muitos outros programas de TV passaram a abordar o tema e os vídeos na Internet viralizaram. Isso continua repercutindo de forma negativa pelos diversos equívocos que divulgaram, Por isso esclareço:

Hereditária/Genética: A questão da hereditariedade/genética tem sido amplamente difundida. Não se pode negar que exista um tipo de Dislexia possivelmente hereditária/genética que faz com que algumas famílias sejam propensas ao distúrbio, ou seja, se o pai ou a mãe tem dislexia, os filhos têm mais probabilidade de apresentarem dislexia. Mas é preciso frisar que este é apenas UM dos tipos e dislexia. Há outros tipos e classificações que dependem inclusive da linha de pesquisa pela Neuropsicologia, pela Psicopedagogia, pela Multiterapia, da qual sou precursora, e outras linhas de pesquisa que classificam os diversos tipos de Dislexia. De todos os tipos, o mais confundido e mal divulgado tem sido o causado por trauma, ou seja, a “Dislexia Adquirida”. Esta Dislexia quase sempre é renegada e, quando é citada, além de omitirem minhas pesquisas e pioneirismo, ainda divulgam de forma equivocada. Em certo debate televisivo, um Médico citou fatores que podem causar Dislexia Adquirida mas omitiu o principal que é anoxia perinatal/hipoxia neonatal que eu publiquei oficialmente em 1996 o TCC que fiz sobre o tema. Em 1998 diversos sites de Saúde e/ou Educação e também meu Portal publicaram esta pesquisa na íntegra, tanto no Brasil quanto na Europa, onde se comprova a aquisição de distúrbios, especificamente Dislexia e Disgrafia, por anoxia. Não só minhas pesquisas mas outras pesquisas que surgiram a partir desta minha iniciativa, fizeram com que a Dislexia Adquirida fosse oficialmente reconhecida pela Ciência da Saúde a partir de 2011/2012. Lamentável que este Médico desconheça (ou omita) esta questão tão importante, ainda mais sendo isto num programa de grande audiência televisiva.

Troca de letras: Outro equívoco que tem sido amplamente difundido é a “troca de letras” supostamente característica de uma dislexia. Quanto a isso, eu também tenho feito palestras, publicado inúmeros artigos há mais de trinta anos abordando esta questão. E, novamente, afirmo que a Dislexia NÃO PROVOCA troca de letras, o que ocorre com o cérebro do disléxico é uma dificuldade de entender os sinais das letras, ele não identifica o que é letra, ele apenas não consegue distinguir uma letra de outra e acaba não conseguindo ser alfabetizado ou perdendo a capacidade de leitura, no caso da Dislexia Adquirida. Isso é muito diferente do trocar “p” com “b” ou “d” com “q” ou seja lá qual for a troca. Quando uma criança faz essas trocas de letras, o mais provável é que tenha uma dificuldade auditiva e, ao passar por ditado, escute errado e, na sequência, escreva errado. Pode também ser uma dificuldade visual que a faz inverter letras ou enxerga-las de forma espelhada. Nesta forma de escrita espelhada, deve-se citar também que é comum a quase todas as crianças em fase de alfabetização inverterem letras e, com a continuidade dos estudos passarem a escrever de forma normal. Portanto, trocar letras não pode ser classificado como “dislexia”. Em relação a este equívoco, devo citar que, em meu livro “Distúrbios de Aprendizagem e de comportamento – Verdades que ninguém publicou”, lançado em 2003, eu citei pela primeira vez a pesquisa de doutorado de uma pesquisadora científica que sugeriu esta troca de letras na dislexia. Esta pesquisa foi publicada em 1969 e ela também lançou um livro em 1975, onde afirmava esta troca de letras. Depois disso, ela não abordou mais o tema, talvez por ela própria ter percebido que não tinha sentido o que ela tinha publicado. Acontece que ai já era tarde, muitas teses foram fundamentadas neste livro dela e muitas teses também foram feitas em continuidade desta tese de doutorado dela. Não posso afirmar que tenha sido só esta pesquisadora a culpada por esse equívoco que até hoje se divulga mas foi, de fato, muito influente nisto. Não vou estender este tema, quem quiser saber de forma mais aprofundada o nome da pesquisadora, a tese e outros detalhes, poderá ler meu livro que atualmente está em sexta edição com o título “Distúrbios de Aprendizagem e de comportamento”. Há também meu ebook “Dislexia sem rodeios” que complementa o assunto.

Maior incidência em meninos e a questão da testosterona:
Ainda sobre Dislexia citaram a maior incidência em meninos, por um excesso de testosterona da mãe durante a gestação o que já ha tempos se descartou. Na verdade esta linha de raciocínio iniciou-se em 1982 com a publicação “The testosterone hypothesis: Assessment since Geschwind and Behan” – Albert M Galaburda (Annals of Dyslexia – January 1990 Volume 40, Issue 1,pp 18-38) O resumo desta publicação é o seguinte: “A hipótese de Geschwind propõe uma interação causal entre imparcialidade não-direita, doenças imunológicas, e deficiência, inclusive dislexia, através da ação intra-uterina do hormônio masculino (testosterona). Alguns estudos epidemiológicos têm apoiado, pelo menos, uma associação estatística entre os três traços; outros não têm. As associações entre distúrbios de aprendizagem e doença imune e entre os transtornos de aprendizagem e lateralidade direita não parecem ser melhor apoiado do que entre doenças imunológicas e imparcialidade não-direita. No entanto, nenhum dos dados acumulados até ao momento são conclusivos, porque não é claro que as amostras estudadas foram verdadeiramente representativas. A evidência neuropatológica, tanto em estudos de AUTÓPSIA em disléxicos humanos e em MODELOS ANIMAIS de anormalidades corticais de desenvolvimento, são coerentes, mas não um diagnóstico de patologia imunológica. Mecanismos são discutidos por que um sistema imunitário anormal poderia, assim, ferir o cérebro em desenvolvimento, com ênfase nas interações materno fetais anormais, incluindo doença autoimune materno e incompatibilidade materno-fetal. Uma origem genética também possível em que o papel materno é menos significativo”.

O que precisa ser muito frisado e entendido é que, além do próprio autor citar que não havia nenhum dado conclusivo e considerar o fator genético isentando as características da mãe, estes estudos americanos foram feitos em AUTÓPSIAS em humanos disléxicos e em ANIMAIS e, além da crueldade a que se expunham animais que sequer tem o mesmo organismo e reações humanas, as pesquisas “mais avançadas” neste época (1982) eram feitas em cérebros de disléxicos MORTOS… Enquanto isso, países como a Alemanha já estudavam casos de pacientes VIVOS e, por mais que alguns retrógrados relutem em aceitar, uma BRASILEIRA, (Lou de Olivier) desmemoriada e dependendo de amigos para ler e entender o tema já despontava com a descoberta da Dislexia Adquirida.

Continuando, esta teoria do excesso de testosterona seguiu até que, em 2007, outro estudo “No relation between 2D : 4D fetal testosterone marker and dyslexia” – Boets, Barta b; De Smedt, Berta; Wouters, Janb; Lemay, Katriena; Ghesquière, Pola (Neuroreport: 17 September 2007 – Volume 18 – Issue 14 – pp 1487-1491) publicou o seguinte: “Tem sido sugerido que os níveis elevados de exposição pré-natal a testosterona estão implicados na etiologia da dislexia e seus frequentes problemas sensoriais. Este estudo examinou 2D: 4D relação dígitos (um marcador de exposição à testosterona fetal) em crianças disléxicas e normais de leitura. Foram observadas 4D: há diferenças entre os grupos em 2D. Mas não mostraram a relação postulada com leitura, escrita, habilidade fonológica, a percepção da fala, processamento auditivo e processamento visual. Estes resultados desafiam a validade das teorias que atribuem um papel proeminente à exposição à testosterona fetal na etiologia da dislexia e suas deficiências sensoriais. Como se comprova, esta teoria foi rebatida em 2007 e, a partir deste ano caiu no esquecimento, exceto por citações neste referido debate nesta emissora de grande audiência em 2015 com um desavisado Médico citando a obsoleta teoria como se fosse atual. E o pior, este debate tem sido exaustivamente citado e repassado em vídeos na Internet, além de ter incitado outros programas de TV a abordarem o mesmo tema de forma distorcida.

Outros diversos equívocos tem sido divulgados não só durante este debate nesta emissora como em diversos outros programas e vídeos porém o espaço disponível para este artigo não comporta o relato na íntegra. Saiba mais em: Vídeos:

1 - Neste vídeo, Lou de Olivier explica de forma bem simples o que é Dislexia, aborda um pouco sobre Dislexia Adquirida e um pouco do histórico da Dislexia deste 1881. São apenas seis minutos de muita informação que pode ser complementada com outro vídeo especifico de Dislexia Adquirida disponível no mesmo canal indicado ao final do vídeo:


2 - Vale a pena conferir os 3 principais mitos (equívocos) que tem sido amplamente divulgados sobre Dislexia. Explicados em detalhes por Lou de Olivier. Confira!






3- Especial Lou de Olivier sobre Dislexia e outros distúrbios,Multiterapia e outros interessantes temas- Programa Darci Martins. Confira!


Mantenha-se informado(a) sobre Dislexia e Dislexia Adquirida curtindo a página oficial no facebook: https://www.facebook.com/dislexiaadquirida/ Livros: “Distúrbios de Aprendizagem e de comportamento”. “Transtornos de comportamento Distúrbios de Aprendizagem”. Ambos de autoria de Lou de Olivier – Editora WAK – Rio de Janeiro – RJ - Brasil Ebook: “Dislexia sem rodeios” - Lou de Olivier – 2015 -Editora independente – ALO – SP – Brasil

Websites: (site oficial) http://dislexiaadquirida.com/
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